Casa Típica MariensePatrimónio da Humanidade

casa_04Quando, no início dos anos 80, investigadores da Ordem dos Arquitectos Portugueses aterraram em Santa Maria para classificar os melhores exemplares de Arquitectura Popular da ilha, não estariam à espera da alta qualidade estética e construtiva do que vieram encontrar.

A imensa personalidade de uma pequena, cubista e austera casa ombreava com os mais fantásticos cânones minimalistas e com uma pureza de linhas e dimensões que os impressionou de imediato e que os transportou para uma espécie de “terra dos sonhos” do famoso arquitecto Le Corbusier ou até mesmo do grego Euclides – o pai da Geometria!

Disseminada por toda a ilha, em particular em meio rural, a Casa Típica Mariense incorpora soluções de génio: aproveita o declive do terreno para “loja”; recebe quem chega num generoso balcão; e coze o pão e aquece o lar debaixo de uma enigmática chaminé.

Os investigadores verificaram ainda como, de uma matriz única, a Casa se multiplicava e crescia sem perder o equilíbrio inicial: “dobrada” ou “alongada”, por exemplo.

Forno e chaminé da Casa do Norte

Mas a chaminé e o seu contorno geométrico é a mais reconhecida imagem de marca do todo edificado mariense. Há as mais antigas e pujantes “de-mãos-postas” e as mais esguias e recentes “de vapor”, estas à imagem dos vapores que fizeram as primeiras travessias transatlânticas, cheios de emigrantes.

No compêndio “Arquitectura Popular Portuguesa” encontramos a declaração formal do superior legado com que todos os marienses convivem desde sempre… E, esperemos, para sempre!

Ricardo Martins de Freitas
Arquitecto
(artigo publicado na edição de Junho de 2015 da Agenda Cultural Yuzin)

Casa Tipica Santa Maria

Comments are closed